Poeta do testemunho... da problematização da sociedade...e de belíssimos escritos.

Poeta do testemunho... da problematização da sociedade...e de belíssimos escritos.
Jorge de Sena (1919-1978)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Doutorado - novos desafios

Pensando nos antigos, para os quais a educação/ formação levava ou deveria levar uns 50 anos, 2 aninhos de mestrado não são nada. De fato, a considerarmos o tamanho e abrangência da obra produzida por JORGE DE SENA, haverá ainda uma longa convivência. Um doutorado, por exemplo.


Depois de um pequeno trabalho com alguns poemas, agora o empreendimento será em suas correspondências e prefácios.

domingo, 18 de agosto de 2013

Sociedades tem divisões.

(Trabalhadores - VAN GOGH)

 Sociedades, estas construções do ser humano para viver conforme sua natureza, ou seja, em conjunto, têm sempre divisões. Consequentemente, tem lados, opostos ou não.

Curiosamente na sociedade capitalista é uma minoria quem detém o controle, o que tem explicação: está nas mãos das elites o sistema financeiro e os meios de produção, para ficar no essencial. No entanto, já é mais do que tempo de que os assalariados, que são maioria,  percebam a força que sua unidade pode imprimir contra a opressão do sistema.

Além dos meios de produção, há outros elementos que contribuem para a manutenção do sistema, principalmente a poderosa propaganda em prol do sistema, via mídia, interesses comerciais interferindo no comportamento dos cidadãos; e a manutenção da baixa qualidade da educação oferecida à maioria da população, o que dificulta o processo de tomada de consciência.

Outro dado interessante de se esmiuçar: o modo como a maioria das coisas é tratada e apresentada como mercadoria, ou seja, como algo simplesmente para ser comprado/vendido. E falo de roupas, sapatos, utensílios, mas também de obras literárias como o objeto "livro", remédios, que ficam limitados a quem possa pagar por eles, não destinados necessariamente a quem deles necessita. E os remédios também servem para exemplificar como os empresários do setor se apropriam do trabalho, intelectual inclusive, de todas as pessoas envolvidas no desenvolvimento do tal medicamento.

Tudo é tão caro é um poema de Jorge de Sena em que esta temática comparece. Eu poderia citar muitos outros, pois é grande o número de pessoas que perceberam isto que escrevo, inclusive foi com muitos deles que aprendi. Porque houve quem me ensinasse é que eu escrevo hoje. Porque um grande número de pessoas, professores, camaradas do PC do B, mais velhos, amigos dedicaram precioso tempo a me ensinar que a sociedade se organiza a partir da humanidade e não o contrário, que o capitalismo é um modo de organização da sociedade, não é o primeiro, não será o último, não é natural como a água que corre.

Nesta sociedade em que poucos se apropriam do conjunto da produção da coletividade em proveito (financeiro) próprio, o ideal é corrermos para superá-lo, que ele já está durando demais...

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

VARIAÇÕES GOLDBERG, Glen Gould e Jorge de Sena

"A música é só música, eu sei." Assim começa o poema de Sena, uma de suas mais belas composições.
Já desde criança eu ouvia, eventualmente, músicas chamadas "clássicas", músicas de conserto. Houve um tempo que havia um programa semanal na TV aberta aos domingos de manhã, e na TVEducativa nos sábados à tarde. Hoje em dia é bastante fácil encontrarmos exibições de orquestras, ballets, boa arte na internet. Nisso acho a internet um ganho. (Não comentarei todos os usos que se faz dela)

Hoje mesmo está à disposição, em www.lerjorgedesena.letras.ufrj.br, um vídeo com depoimento do professor Jorge Fernandes da Silveira sobre o Sena, em que menciona outro poema magnífico, CARTA AOS MEUS FILHOS SOBRE OS FUZILAMENTOS DE GOYA.

O traço comum em toda a sua obra, seja a poética, prosas, teoria e crítica literária é sua preocupação em olhar o ser humano no mundo, vivendo, se debatendo com a vida enfim. Para além do que podemos aprender com ele de conhecimentos literários e de arte, penso que Jorge de Sena nos ajuda a aprender a viver.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Os fuzilamentos de Goya, Jorge de Sena e os rumos do capitalismo.


11 de setembro de 2001 foi o dia em que, logo pela manhã, as torres gêmeas do World Trade Center foram atacadas por dois aviões, inaugurando uma nova fase, considerando que foi o primeiro ataque sofrido pelos EUA dentro de seu território, algo que só parecia possível em filmes de ficção pura.

25 de junho de 1959 é a data que vem ao final do poema CARTA A MEUS FILHOS SOBRE OS FUZILAMENTOS DE GOYA, escrito por Jorge de Sena a partir da pintura TRÊS DE MAIO de Goya, cujo primeiro verso é "Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso," (1978, p. 127)

Nesta segunda 15 de abril de 2013 houve novo atentado nos EUA, na corrida de Boston. No Brasil estamos às voltas com a discussão sobre redução ou não da maioridade penal, por conta da crescente violência protagonizada por menores de idade em diversas modalidades, ao mesmo tempo em que não alcançamos ainda uma escola pública com qualidade para a formação social de nossos jovens.

É claro, e eu sei, que há diversos acontecimentos que se poderia observar para perceber a desestabilidade neste mundo sob a égide das disputas capitalistas, de uma lógica em que somente os lucros dos detentores do poder importam, e cujos efeitos colaterais sempre envolve a morte de grandes quantidades de seres humanos que não tiveram a menor possibilidade de escolha, e acabaram morrendo como "efeitos colaterais" dessa guerra nada velada.

A pintura de Goya refere-se a um momento histórico específico, mas sendo obra de arte, parece reivindicar uma série de outras injustiças, anteriores e posteriores à que foi ilustrada. "Apenas um episódio, um episódio breve,\ nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)\ de ferro e de suor e sangue e algum semen\ a caminho do mundo que vos sonho." (SENA, 1978, 128)

Este poema de Sena vive em minha mente, principalmente neste momento em que retomei os estudos das obras de Marx, muito incomodada pela escolha da esquerda brasileira que, em gera, escolheu como prioridade as disputas eleitorais, em detrimento da luta pelas conquistas daquela camada (imensa) da população despossuída dos meios de produção. Num mundo que já criou meios e tecnologia para que não fosse necessário trabalharmos até a morte para garantir uma existência decente, é um grande atraso que a maioria ainda continue sustentando os luxos de uma minoria, como vivemos.

Tendo como grande qualidade não ter uma escrita limitada ao político, Jorge de Sena produziu obras em que o ser humano e a manutenção de sua humanidade estão para sempre preservados.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Agora que a defesa já passou...

...bola pra frente! Em 19 de março eu passei pela defesa da minha dissertação de mestrado. Foi um dia tranquilo, em que pese a conclusão deste trabalho não nos colocar numa situação de completude. Parece mais como se nos encontrássemos novamente num primeiro degrau.

Embora incômodo, isso tem um gosto de renovação frequente. Imagina se acabássemos um curso como este e nos sentíssemos tendo concluído algo? As necessidades ainda não resolvidas funcionam como combustíveis, em certa medida, para continuarmos em movimento.

É como uma editora, por exemplo, sempre se movendo, como a Oficina Raquel, que está cheia de novidades. Vou até por o link, abaixo:

 http://www.oficinaraquel.com.br/

Acontece que é preciso ir concluindo etapas. Senti um grande alívio após a defesa, assim como pessoas mais experientes do que eu me disseram que poderia acontecer. Me parece que o processo do mestrado, em si, já causa um certo sofrimento, na medida em que estamos estudando/lendo e refletindo sobre tais leituras. Não me parece possível, aliás, aprendizado e amadurecimento sem algum incômodo.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Publicações brasileiras...



O Físico Prodigioso, novela de jorge de Sena é sua única obra com edição brasileira. Embora eu já tenha conseguido adquirir muitas de suas obras, bem como volumes de correspondência, penso que contribuiria um bocado com a propagação de sua no Brasil. aliás, novas edições mesmo portuguesas seriam muito bem vindas para interessados mundo afora.

Se dizemos, e creio que dizemos porque é o que verificamos, que os autores permanecem de algum modo vivos à medida em que suas obras sejam lidas e relidas, estudadas e criticadas; de um modo aproximado pode trazer mais público o fato de o produto livro, contendo as obras, esteja em estoque nas livrarias por ai. Até para recomendarmos a leitura é preciso que materialmente haja essa possibilidade.

Há bibliotecas - as de universidades - em que encontramos algumas obras de Jorge de Sena, mas o principal local no Rio de Janeiro para ler este grande autor -é o Real Gabinete Português de Leitura, no centro da cidade.

CORRIGINDO UM ERRO NO PRIMEIRO PARÁGRAFO DESTA PUBLICAÇÃO: Recebi uma mensagem da professora Gilda Santos, grande estudiosa da obra de Jorge de Sena, para (felizmente) eu corrigir minha falha, no primeiro parágrafo aqui acima.


Beatriz:
 
No seu blogue, a frase O Físico Prodigioso, novela de jorge de Sena é sua única obra com edição brasileira. deve ser alterada para O Físico Prodigioso, novela de Jorge de Sena, é sua única obra de ficção com edição brasileira. Isto porque, ainda quando ele estava no Brasil, aqui editou 2 livros: A Literatura Inglesa e Teixeira de Pascoaes (Ed. Agir).
 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Às vezes tenho a impressão de que a única atitude sensata diante da poesia de Jorge de Sena é sentar e ler, e não ler mais nada. O diabo é que, ao fazer isso, nascem umas vontades práticas de mudar o mundo e a forma como essa maldita sociedade baseada no capitalismo aprisiona-nos a vida. Não tenho o direito de fazer o que eu quiser da minha vida, a não ser que eu tenha dinheiro pra pagar por isso.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Metamorfose, na vida.

Esta imagem é uma pintura de autoria da pintora portuguesa, radicada em Londres, Paula Rêgo, a partir de Kafka e sua metamorfose. Esse livro deveria ser dado para todo o aluno que entra no ensino médio. É como umas portas metafóricas sendo abertas bem à nossa frente.
Foi uma ausência longa; fazer mestrado em uma série de dificuldades, mas é preciso prosseguir. Mas eu sou teimosa...
Jorge de Sena, antes de mim, teimava em pensar muio. Que bom pra nós!

LEPRA

"A poesia ão igual a uma lepra
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
E os poetas na leprosaria
vão vivendo
uns com os ouros,
inspêccionando as chagas
uns dos outros."

domingo, 11 de março de 2012

O caso Nardoni

Me lembro que eu estava na graduação, até então o pai e a madrasta eram suspeitos desse crime. Me lembro que eu escrevi um trabalho, análise de algum texto que referenciava imagens do horror nazista na segunda guerra, e encerrei o trabalho dizendo que precisamos construir um mundo em que um pai não seja suspeito de matar a própria filha.
Hoje,assistindo a uma "reportagem" sobre este crime, a mesma sensação incômoda me encontra ainda mãe de 3 filhos, ainda indignada com a capacidade humana para fazer covardias.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Aos filhos e ao futuro


Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya é um poema de Jorge de Sena, surgido a partir da observação e em diálogo com essa pintura, reproduzida acima. Tenho pensado recorrentemente neste texto. Acho que algo que me levou ao encontro de Sena e me mantem nele, mais que a leitura marxista do mundo da qual comungamos, é a preocupação com o que será desse mundo alucinado em que pusemos nossos filhos, ele 9 e eu 3.

Deito e levanto pensando nisso, e cada vez mais isso acontece. Na etapa em que estamos, um acaba de entrar pra universidade, o que me diz que ela está no "bom caminho". Embora eu ainda possa lavar sua roupa e fazer sua comida, estou certa de que o essencial já fiz por ele - não o atrapalhei a desenvolver-se. Restam-me os dois menores, que vão bem também. Mas me assusto frequentemente com a rapidez com que o mundo está mudando, em alguns casos me cheira mesmo a desestabilização. Olha a Grécia, os países Árabes...

Penso na construção do novo homem, necessária para construirmos outro sistema econômico, considerando que o capitalismo já deu o que tinha que dar. A divisão da produção deve ser coletiva, já que produzimos coletivamente e necessitamos viver neste mundo nada natural. Acho que é disso que se trata: reformular a construção cotidiana do mundo em que vivemos, em dois movimentos, que são a esfera pública e a privada.

Se, por exemplo, não aprendemos a separar o que é necessário - como comida, saúde, amor e cultura do que é supérfulo - como coisas materiais não essenciais, roupas de marca por exemplo - nunca poderemos direcionar coletivamente a construção de um mundo em que o humano seja o essencial. No nosso sistema econômico os governos socorrem os bancos com dinheiro, mas não há dinheiro para acabar com a fome na África e no nordeste brasileiro, porque é mais importante salvar o sistema do que as pessoas. Preocupa-me meus filhos viverem num mundo assim. A Jorge de Sena, tenho certeza, isso também o atormentava.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Paraíso Perdido

Estou aqui, escrevendo (ou ao menos tentando) a partir do conto Paraíso perdido, que está num volume chamado Genesis, em que há também o conto Caim.

Acho muito divertido o modo como Sena compôs o quadro, depois de ingerido o fruto proibido: "uma bacanal fantástica".

Não, meninos e meninas, não é um conto de humor; é uma puta reflexão sobre o sentido de ser humano, gozar de livre-arbítrio plenamente e a sério.

sábado, 12 de novembro de 2011

Luis Maffei e Alex Castro na EdUFF em 17.11.11


Pulsatilla - Luis Maffei. Onde perdemos tudo - Alex Castro. Um evento para sensibilidades e inteligências. Venham todos!!!

sábado, 5 de novembro de 2011

Jorge de Sena e o dia de finados.

No último dia 2 Jorge de Sena teria feito 92 anos. Eu me lembrei da data, mas nesta última quarta, logo pela manhã, o pai de uma vizinha minha faleceu - enfartou na casa dela. Para quem me conhece, pode parecer estranho eu dedicar atenção a este tipo de coisa, mas passei o dia dando-lhe assistência, notadamente cuidando do seu menino mais velho, que tem 32 anos mas é um menino de 10.

Ela tinha muito amor pelo pai, e foi essa a dor que me doeu - sua perda, não a morte em si.

Nessas horas, duas coisas se destacam: as futilidades e falta de discernimento das pessoas tolas e a boa criação que damos aos nossos filhos (quando cumprimos bem o nosso papel de mãe). O filho mais novo de Norma, de uns 30 anos, veio de casa logo cedo socorrer o avô, que morreu em seus braços, e passou o dia todo cuidando do que devia ser feito, até o fim do enterro.

A morte é inevitável, mas os bons filhos que Deus deu a todo mundo, nem todos souberam preservar. Ela soube. Isso é um grande conforto.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sentimentos

Eu tive um namorado, a certa altura da minha vida, ambos éramos comunistas, que dizia que um comunista é alguém movido por grandes sentimentos de amor: pela humanidade, pelos camaradas.
Tenho pensado nisso sempre e mais, pois me parece que justamente os sentimentos de amor, todos os que seriam passíveis de sentirmos, estão sendo minados pela propaganda do sistema, que disfarça a necessidade que temos de trabalhar exaustivamente para ganhar a vida em "sonho" de "chegar lá". Assim, até os mais bem intencionados entram nessa lógica de disputa de espaço permanentemente, até se perderem nisso.

2012 será um ano de eleição, não somente porque haverá eleições municipais, mas porque, na "sociedade civil organizada" será somente este o objetivo: eleger ou apoiar alguém que vá se eleger. Estar neste filão...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Steve Jobs morreu ontem.

Assim como centenas de anônimos pelo mundo afora. No entanto, ele era Steve Jobs, era alguém famoso por ter criado e revolucionado em suas criações. Movida pela notícia do seu falecimento, fui ler o discurso que ele proferiu em 2005, numa formatura. É, realmente, um belo texto, tanto pelo modo como foi escrito, quanto pela experiência que lhe dava respaldo.

Há outros discursos que fiz questão de ler. Por exemplo, o do José Saramago, por ocasião da premiação com o Nobel de Literatura, e o de posse do Obama.

Em nenhum deses casos, em que pese o fato de serem figuras públicas, não penso que sejam palavras vazias, em discursos construidos por profissionais. Não é que me importe se foram escritos somente por estas pessoas, mas são palavras inspiradoras. Afinal, nenhum legado é mais importante do que aquilo que podemos ensinar com o nosso exemplo. Isso não é só algo que dizemos para nós mesmos quando sabemos que não iremos deixar fortunas, em termos financeiros, para os nossos filhos. É a mais pura verdade.

Eu sei que incluí o Obama nesta lista. Acontece que a dimensão que ele tem pra mim é a de um homem que teve a oportunidade de ser instruído desde cedo, e tornou-se presidente dos Estados Unidos. Não é Jesus renascido.

sábado, 24 de setembro de 2011

Há coisas que nem comentarei.

Como, por exemplo, o "Rock" in Rio..., bem como as notícias de problemas na infraestrutura (que deveria ter sido)providenciada em torno do evento, como transportes e segurança; ou a entrada de um Pastor, o Waguinho, para ser candidato à prefeitura de Nova Iguaçu pelo PC do B...

Sendo eu uma aluna de Camões e Jorge de Sena nas aulas de Luis Maffei, neste ano do Senhor de 2011, não posso deixar de olhar em volta e o que vejo me preocupa sobremaneira. Se estou na rua, vejo sujeira, mendigos falsos e verdadeiros (e, com sinceridade, não sei o que me apavora mais); por outro lado vejo mulheres disputando espaço com as profissionais do sexo, em termo de indumentária somente, porque as putas se dão muito mais valor.

Essa semana, no entanto, dois ataques a professoras - o que pode ser muito corriqueiro para alguns - é algo que me incomoda por vários ângulos, sempre a começar pela educação que essas crianças parecem estar recebendo em casa. Não, não está escrito errado: eu não quiz dizer "a educação que as crianças não estão recebendo", mas a que elas recebem. Uma coisa é ninguém dizer que se deve comportar bem na escola, respeitar o espaço e professores, colegas, humanos irmãos, enfim. Outra, bem diferente, é desqualificar o outro que será encontrado na escola, bem como à própria instituição.

Um dos casos é o de uma professora em Mogi-SP, que foi agredida por não permitir o uso de celular em aula, o outro é o do menino de 10 anos que atirou na professora e depois em si mesmo, tendo morrido por isso, acrescentando-se o fato de que não se saiba a motivação.

Embora eu creia que criei e crio bem os meus filhos, o que é o mínimo da minha obrigação, não me sinto em nada tranquila. Insisto que é preciso darmos formação aos nossos filhos. De que adianta liberdade política, democracia, instrumentos tecnológicos, diversidade, se não utilizamos nada disso para exercer o potencial com o qual nascermos de sermos humanos?

domingo, 18 de setembro de 2011

Tudo já virou mercadoria. E agora?


Um dia desses fiz uma postagem intitulada E SE TUDO VIRAR MERCADORIA? No entanto, percebo que já estou defasada, visto que tudo parece cambiável neste momento em que estamos compartilhando os mesmos oxigênio e impurezas. Nada escapa, sobretudo as relações humanas, pois estão em grande medida motivadas ou orientadas por interesses materiais.

Isso me coloca numa posição de grande isolamento no mundo, por falta de pares. É peciso estar na moda, comportar-se dentro do padrão, ou sair do padrão de forma aceitável, ou seja, filiando-se a "minorias exóticas", também da moda, ou ser politicamente correta, ou ainda querer chegar lá, do ponto de vista do mercado de trabalho e demais realizações financeiras.

É limitado demais esse mundo nosso.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Civilização



Estava, ontem à noite, num coletivo e, como era uma reles passageira, não estava dirigindo, de tal modo que podia dar-me ao luxo de observar a violência do comportamento dos seres humanos que dirigem ônibus contra os que dirigem carros e vice-versa. Um verdadeiro campo de batalha. Me lembrei daquelas partidas de futebol americano, onde se jogam uns nos outros se atacando.

E, pensando em violências, mas olhando em outra direção, lembrei-me de que o papa usa um anel, chamado de "anel do pescador" - o que me parece que seja uma referência ao primeiro papa, Pedro - que é, no entanto e contraditoriamente, de ouro maciço. Cada papa tem o seu, ou seja, quando o cara morre, destrói-se o dito anel e produz-se outro para o novo pontífice. Ora, é uma igreja que se diz dos pobres e representante de Deus na terra, mas cujos líderes esbanjam - literalmente - ouro, enquanto milhares morrem de fome mundo afora.

Esse torto percurso de reflexão me levou, por fim, a pensar nas torturas cotidianas e particulares a que nos submtemos, às vezes, por pura vaidade: tênis no verão de um país tropical e saltos altos e finos em ruas de paralelepípedo, só para escrever pouco.

Porque, afinal, nos consideramos civilizados mesmo?

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de setembro, 6 e 8 de agosto, 3 de maio. Datas


Hoje completam-se, daqui a 15 minutos, os 10 anos do atentado terrorista que atingiu o World Trade Center e feriu para sempre o sossego que, não sei porque, pensavasse que havia no mundo. Na verdade, era o sossego de achar que o mundo tinha um dono só: os EUA, que interferia à vontade - mas por baixo do pano, no andamento dos governos mundo afora. Não, eu não acho que os atentados foram uma justa resposta, pois o que se atinge com o terrorismo extrapola qualquer território, nacionalidade ou tempo. E o inimigo dos povos é o Capitalismo.

Será sempre um dia para se lamentar, assim como o são 6 e 8 de agosto. Lamentar as mortes decorrentes da estupidez humana, que leva a todo o tipo de conflito armado.

Jorge de Sena escreveu, certa vez, o seguinte verso: "Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso." Está num poema, Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya, que nasce a partir de uma pintura de Goya - os três de Mayo, e da sensibilidade de um homem, com profissão, esposa e filhos e conhecimento acerca da trajetória, nada pacífica, da humanidade ao longo da história.

Me lembro que, assim que entendi que o World Trade Center estava sendo atacado - eu estava perto dos meus filhos, então com 8 e 5 anos, e o meu menino me dizia "mãe, o avião foi direto para aquele prédio", pensei que dali se desencadearia a terceira guerra mundial, e fiquei desesperada, achando que não haveria mundo para eles, nem futuro. Não conhecia, à época, os versos de Sena.

Hoje esse mesmo menino meu está prestando vestibular. Antes de sentar-me aqui, para escrever, fui levá-lo ao ponto do ônibus e desejar sorte, mesmo ele sendo quem é, ou seja, ter estudado muito e pertencer ao signo de aquário. Mãe é mãe, né? Também não sei que mundo será os dos meus filhos, mais sei que é preciso combater o capitalismo de forma organizada.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Idade para entrar no ensino fundamental - 6 anos

O conselho nacional de educação decidiu, ontem, fixar os 6 anos como idade mínima para as crianças no Brasil serem matriculadas no ensino fundamental - 1º ano, antiga classe de alfabetização. O argumento é baseado na cognição e maturidade das crianças.
Na Globo, que foi onde ouvi a notícia, o Alexandre Garcia chamava a atenção para o fato de que a América Latina tem 15 prêmios Nobel, sendo metade só na Argentina, mas nenhum no Brasil, e que essa decisão é um incentivo à mediocridade. Concordo grandemente com isso.

Eu aprendi a ler em casa, aos 5 anos - e não se deve esquecer que a minha mãe é analfabeta. Meus dois primeiros filhos foram para a escola - particular - cedo e aprenderam a ler, respectivamente, aos 6 e aos 5 anos. Meu pequeno não pude por na escola particular, mas o ensinamos a ler em casa, dentro dos seis anos, porque a escola pública não começa a alfabetizar no 1º ano. Como eles tem até o final do ciclo para alfabetizar, 3 anos, começam a ensinar em agosto do 3º ano.

Assim como o jornalista, fico me perguntando o que pretende o governo com isso. As crianças estão sendo expostas cada vez mais cedo a uma série de conteúdos, hábitos, programas, enfim... inadequadas à sua idade, e o que se busca limitar é o aprendizado escolar?

Ontem mesmo eu estava lendo um artigo do Alilderson (de Jesus, revista ABRIL/UFF 2010), em que ele escreveu: "Uma civilização barulhenta que silencia apenas para não se manifestar sobre as atrocidades que promove." Seu artigo era a partir de O Grito - de Luis Miguel Nava. Sua afirmação, com a qual concordo também grandemente, me lembra aquela história da carroça que, quanto mais vazia mais barulhenta.